sábado, 28 de dezembro de 2013

Última edição do Sábados de Caju


Andei perdendo algumas noites em alguns anos. E alguns anos em algumas noites. Estou me referindo a um recorte de uma década. Durante esse tempo, fiquei submisso a uma sentença terrível que Carlos Drummond de Andrade já havia alertado: “a literatura estragou tuas melhores horas de amor”. O preço disso é muito mais caro do que se imagina.
Reuni esse estrago numa obra chamada Arremessos de um dado viciado. Um livro que surgiu para expor limitações: vertê-las em caminhos, não em obstáculos. Lá aconteceu uma reviravolta nas minhas prioridades, o que me fez pensar muito no meu lugar na minha própria história. O poemário fez parecer tudo que eu tinha escrito antes, mero esboço.
Prefiro pensar que tudo é eternamente rascunho, é a minha forma de seguir.
Entretanto não seria justo comigo (nem poderia) abandonar o que fui, sabendo que meu passado faz parte do que sou. E é por isso que passei a me dedicar a uma antologia que sanasse minha vontade de encerrar um ciclo. Surge a obra Sumo de Ranço:


A intensão é que ela abrangesse tudo, mas logo percebi: não é muita coisa. É quase nada. É o nada. Mas é o nada que não pude manter preso. Entre um jogo de espelhos e contradições, é um nada que não pode deixar de existir. “Fazer o que seja é inútil./ Não fazer nada é inútil./ Mas entre fazer e não fazer/ mais vale o inútil do fazer” (João Cabral de Melo Neto).
O Sumo de Ranço é um livro póstumo para o Sábados de Caju. Continuarei apenas com as atividades no Castanha Mecânica e na curadoria do Cronisias. Também encerro minhas colaborações no Poetas de Marte e no Tribuna Escrita. Interromper as atividades por aqui não significa que eu esteja em hiato com o trabalho poético. É apenas uma forma de continuar.
Agradeço a todos que por aqui passaram, permaneceram e também  os que esqueceram. Foi sempre muito bom ter companhias por aqui. Nos vemos por aí.

Grande abraço,
Fred Caju
   

UPDATE: Coloquei o blog Rastros como um espólio aberto . Visitem!
   

sábado, 14 de dezembro de 2013

O ÚNICO


És meu melhor dos delírios:
tu sabes tocar em mim,
tens a beleza dos lírios
e os olores do jardim.

Fazes o meu gosto,
sabes o que odeio,
mas fazes o oposto;

tens o melhor meio
de beijar meu rosto
e tocar meus seios.

Apenas tu me conheces:
só você para atender
tantos pedidos e preces
e conseguir me entender.
     

sábado, 7 de dezembro de 2013

Desejei que seu corpo
sempre estivesse nu:
nádegas no gramado,
seios para borboletas
e púbis a sol e vento.
Canibal dos teus olhos,
devorei cada lágrima
que queimava teu rosto;
pássaro passageiro,
em qual anfetamina
teu canto perdeu cor?
   

sábado, 30 de novembro de 2013

HISTÓRIA DE AMOR


Imerso em seu mundo particular,
de repente, uma interrupção:
era só o amor batendo na porta
e implorando um lugar no poema.

Que fique com poucos poemas
e dê o ar da graça em mais alguns,
e que vá se arrumando por si só
na bagunça do mundo que foi criado.