sábado, 29 de maio de 2010

ÁGUA DE BALDE

O peso do balde
faz calo na mão
e a incerteza
faz no coração.
Ela evaporou
no sol do Sertão?
Mas aqui é Recife
e a sua região.
Como explicar
essa privação?
Tem algo errado
na distribuição.

Carrega o balde
da melhor maneira:
com as suas mãos
ou a cabeça inteira.
Antes que acabe
a água da torneira,
antes que caia
a gota derradeira.
Enche o balde
até a sua beira,
reserva a água,
necessidade primeira.

Água dentro do balde
fora do encanamento,
fora do chuveiro
a todo momento.
Problema social
que causa atormento
na cabeça, no juízo
e no pensamento
até de pessoas que
não têm conhecimento
desse problema,
desse sofrimento.

Um balde de água
para dois de suor,
essa é a proporção
que define melhor
(na verdade, seria
que define pior)
essa triste situação
que parece que só
quem resolve é a
Santa que desata nó.
Em vez de água,
da torneira, sai pó.

Água para balde,
para o que for usual:
para a casa e o corpo
com economia total;
para dentro do copo
(fingindo ser mineral).
Aqui, em Pernambuco,
terra de seca e canavial,
o racionamento d’água
é de forma desigual,
e muitos ainda dizem:
“falta d’água é normal.”
   

sábado, 22 de maio de 2010

POEMA DA OFERTA

Se um tosco poema
resolve o problema,
sinta-se em casa,
o poema é pra você.
Abra as suas asas
você fez por merecer,
voe o quanto puder
conserve a sua fé
e não tema a altura,
voe sem preocupação
comigo estarás segura
não importa a ocasião.
   

sábado, 15 de maio de 2010

CULINÁRIA FRANCESA

Um verso
Único verso
Universo

Um otário
Único otário
Unitário

Verso unitário
Universo otário
Universitário 
   

sábado, 8 de maio de 2010

O QUE TODOS ME DIZEM



O QUE ELAS ME DIZEM

Todo homem é igual,
achando que é “o tal”
pelo tamanho do pau,
mesmo mandando mal.


                                                                     O QUE ELES ME DIZEM

                                                                     Mulher é como biscoito:
                                                                     vai uma e vem dezoito;
                                                                     se não for macho afoito,
                                                                     você acaba sem o coito.
       

sábado, 1 de maio de 2010

NA SUA AUSÊNCIA

Os meus olhos foram quebrados,
eles são um par de olhos alados.
A minha retina está em brasa,
sozinha, voando pelos ares,
como uma fumaça com asas,
à procura de bons lugares.
— Galopo em alados corcéis
e o poema dorme nos papéis.

A boca está paralisada,
não consigo falar mais nada.
Eu já não me alimento mais,
gostaria de te dizer tudo,
mas nem para falar sou capaz,
eu não sou covarde, sou mudo.
— Hoje já não tenho mais hálito
e o poema permanece inválido.

Estava na ponta do nariz,
mas eu não consegui ser feliz.
O fato já virou um axioma:
toda minha incapacidade
de poder sentir o teu aroma,
levou-me a fugir da cidade.
— Agora virei um foragido
e o poema ficou corrompido.

Eu não escuto mais a tua voz,
sinto uma barreira entre nós.
Não capturo mais nenhum som,
o mundo perdeu o seu valor,
e já não sei mais o que é bom
nem vejo sentido no amor.
— A vida perdendo a direção
e o poema sendo escrito em vão.

Fiz o que parecia impossível:
tornei-me um homem insensível.
Invalidei a minha epiderme
junto com os meus sentimentos,
hoje, sinto-me como um verme
indigno dos teus acalentos.
— Eu continuo com meu calvário
e o poema morre solitário.