sábado, 29 de janeiro de 2011

BOLO DE BACIA

                         chove uma
                         chuva
                         chatinha
sem guarda-chuva
               nem chapéu
                       tchau-
                       tchau
                         chapinha
   

sábado, 22 de janeiro de 2011

NA FLORICULTURA DA ESQUINA

Na floricultura da esquina,
que fica ao lado da padaria,
encontrei uma pá de roseiras,
mas não aquela que eu queria.
E já de saída da floricultura,
o vendedor vem me perguntar:
“Senhor, nada aqui lhe agradou?
Venha ver o setor de celular.”
Olhei pros telefones móveis
e fiz a pergunta ao vendedor:
“Preciso de um útil ao jardim,
tu tens algum com um regador?”
E o vendedor logo me disse:
“Esse modelo está em escassez
mas temos com abridor de latas,
câmera fotográfica e com mp3.”
Caindo fora da floricultura,
a mente começa a funcionar:
Vi esse aparelho na farmácia,
lá vende todo tipo de celular.
    

sábado, 15 de janeiro de 2011

AR(VORE)-CONDICIONADO

Em meio ao grande caos urbano,
onde tudo é cercado pelo muro,
o rapaz com excesso de solidão
contempla o que é o amor puro.

Trata-se de uma união bizarra,
porém, uma relação apaixonada;
um antigo ar-condicionado rega
uma árvore com água destilada.

Quando acionam o tal aparelho,
o vegetal é suavemente regado;
uma forma de afeto que só para
apenas quando ele é desligado.

O ar-condicionado que resfria,
é o mesmo que aquece com vida;
enquanto ele nos mantém frios,
ele deixa sua árvore aquecida.

A fragilidade desse matrimônio
causa um mal-estar no coração;
árvore cortada, aparelho ruim:
mais uma vez, vence a solidão.
  

sábado, 8 de janeiro de 2011

CENAS DE SEMÁFORO

Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Vermelho: cor que ficou o sinal,
é sinal de fechar a janela.
Por aqui isso já virou normal,
mas isso não é só na capital.
Os carros já estão na espera
da cor daquele sinal mudar.
Para também mudar as suas cores
brancas de medo, querem respirar...
Respirar todos aqueles odores
da Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Presencio retratos da miséria
que não é tratada de uma maneira
que realmente se diga séria.
Lá garotos não têm brincadeiras,
e ao invés de estar numa escola
muitos estão cheirando cola,
roubando ou pedindo esmola
na Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Meus caros, lá carros caros
com medo, nem param nos semáforos.
Certa vez, nesse mesmo itinerário,
onde só mudava o horário,
junto a um carro, uma tal criança
suja, sem resquícios de esperança,
pediu algum dinheiro ao motorista,
este, acelerou com velocidade
que o carro quase saiu da pista
não atendendo sequer a prece
da criança em sua mocidade.
Essa cena sempre acontece
na Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
Numa outra vez, vi um homem
com uma arma de morte lenta,
uma morte-tortura muito violenta.
Essa arma que tinha no abdômen
era arma incapaz de homicídio,
era mais perigosa como suicídio.
Essa perigosa arma tem nome:
o nome dela, senhores, é a fome.
Cenas como essa circulam o Brasil
de uma forma que não é nada sutil.
Atingem o São Paulo, o BH, o Rio,
o Salvador, o Porto Alegre, o Belém,
atinge, no mundo, todos os lugares,
atinge o meu querido Recife também
inclusive por todos esse ares
da Avenida Agamenon Magalhães
onde passo todas as manhãs.
 

sábado, 1 de janeiro de 2011

O JABUTI

Lento, passo a passo, passivo.
O jabuti tem sua vida monótona e previsível:
nascer e morrer.
Durante a vida não se preocupa em mudar o seu ritmo,
já está conformado com o destino
que seus antepassados escolheram.
Poderia mudar se quisesse,
mas, permanece totalmente estático.

Nota ao leitor:
Quaisquer semelhanças, neste poema,
entre o jabuti e o homem é mera coincidência.