sábado, 27 de agosto de 2011

PUTA QUE PARIU! CACHORRO SOLTO!

Puta que pariu! Cachorro solto!
Bem que o silêncio me avisou,
aquele cão desgraçado está lá!
Não entendo como ele se soltou,
aquele trator em forma de cão
que o próprio Capeta me enviou,
já deve está comendo o jardim
como a ração que ele devorou.
Sorteando uma chave no molho
sem muita, ou nenhuma, pachorra,
abrindo a porta com todo ódio
querendo o levar pra masmorra,
como o algoz faz com a vítima,
aos gritos de: “Sai daí, porra!”.
Mas, bem longe do meu jardim
vejo ele comendo uma cachorra.
   

sábado, 20 de agosto de 2011

DESUMANOS DAS HUMANAS

Trata-se do curioso grupo
dos produtores do saber
das ditas Ciências Humanas:
os mais eloquentes do mundo.

São elitistas verborrágicos
escondidos atrás dos livros
e das suas teorias insólitas:
muito se lê, pouco se faz.

Enclausurados por si mesmos,
divagam sobre metafísica
nos mais diversos idiomas:
são tão cultos quanto herméticos.

Estendem a bibliografia
com uma mera referência
que poderia ser dispensada:
vaidosos acima de tudo.

A simplicidade dos gênios
cede lugar à arrogância
intelectualmente nata:
sapiência idem prepotência.

Sob o seu teórico-tutor,
permutam carícias e críticas
para também serem citados:
lidos apenas por si mesmos.

Estudam problemas sociais
sem pensar na sociedade,
mas sim pensando no currículo:
incansáveis buscando títulos.

Eles enaltecem as massas
em suas produções acadêmicas,
mas são herdeiros das elites:
o poder flui do discurso.

Em uma distância segura,
estudam casos de pobreza
com total precisão científica:
mais estatísticas sem metas.

Ainda almejam mudar o mundo
mesmo sendo conservadores,
mesmo sem pôr os pés na rua:
são contradições coerentes.
   

sábado, 13 de agosto de 2011

REPOUSAR EM JANELAS

Como droga controlada,
o repousar em janelas
deixa a moça remediada
contra possíveis mazelas.

Quando o sol desperta
e traz a sua luz
à janela aberta,

a vida conduz
à coisa mais certa
(e o mal se reduz).

Ela tinha como vício
olhar o mundo passar,
ganhando um pouco de alívio
e coragem para amar.
    

sábado, 6 de agosto de 2011

O HONRADO

Ele sempre colocou sua honra acima de todos,
sempre teve que provar que era alguém capaz.
Vivia a sua vida como se não fosse para ele,
na verdade ninguém se importava com o rapaz.
Ninguém sabia ao certo porque ele era assim,
por quê ele fazia de sua honra o seu cartaz?
Por não ter nada que servisse como oferenda,
tinha que mostrar o seu valor cada vez mais.
Mas em uma terra onde ter honra não importa,
esse pobre coitado é apenas mais um capataz.
O rapaz optou a solidão a trair a sua honra,
manteve o discurso fiel sem olhar para trás.
Lutou a sua batalha com pouquíssimos amigos,
uma luta de sua honra contra valores banais.
Ficou enjoado de ser só e decidiu descansar,
resolveu morrer na cozinha utilizando o gás.
Hoje existe uma lápide que nunca é visitada,
onde um pobre homem solitário e honrado jaz.
Agora a alma desse homem habita outro mundo,
onde ele vive com sua mais que merecida paz.