sábado, 24 de setembro de 2011

O SOL QUE VEM DO POENTE (excerto)

De corpo fechado o garoto
tinha a responsabilidade
de idealizar a salvação
pela alegoria do sol-lua.

Pensou nos miseráveis,
na fome, na pobreza
e na infelicidade,
fingindo ter certeza
que tudo vai mudar,
transformar-se em beleza.

Quis que o sol que vem do poente
fosse o avatar dos excluídos:
um faz-de-conta da miséria
ou um mau momento passageiro.

Mas no fundo sabia,
tentar mudar o curso
das relações humanas
não é fácil percurso:
pois a desigualdade
é além do discurso.

Mesmo jovem, tinha certeza:
a segregação é concreta,
apenas quem está por cima
a vê como mera abstração.

Como sonhar não custa,
dava continuidade
à salvação solar
com doce ingenuidade
que concretizar-se-ia
sua nobre vontade.
   

sábado, 17 de setembro de 2011

CONSUMO IMEDIATO

Consuma-me o quanto você puder,
coma-me de garfo, faca e colher;
devora-me no lugar que estiver,
seja deitado, sentado ou em pé.
  

sábado, 10 de setembro de 2011

REGGAE

      seca
    cerca
    cercado
          gado
         arado
         arame
             ame
ou se dane
  

sábado, 3 de setembro de 2011

GIRASSÓIS

Dos girassóis, o seu esplendor:
o miúdo sol particular,
com movimento de carrossel
sempre girando sem parar,
iluminando qualquer flor,
iluminando qualquer céu.