sábado, 26 de novembro de 2011

MÃO INVÁLIDA

A magra mão se estendia,
uma mão que já não lavra
e que apenas se rendia
sem dizer uma palavra.

Uma mão com fome,
uma mão perdida,
uma mão sem nome

de um qualquer sem vida
que nada consome,
apenas mendiga.

Uma mão de alguém sozinho
que pode se revoltar,
pois não sabe dar carinho,
porém, sabe executar.
    

sábado, 19 de novembro de 2011

FAZER MAIS UM POEMA

Fazer que um poema
seja a voz do povo,
do povo que é mudo
e que jamais muda.
Fazer a fotografia
do tempo presente;
retratar com foto,
jamais com pintura.
Uma fotografia-pintura,
seria o mais correto:
a realidade da foto
e o labor da pintura.
    

sábado, 12 de novembro de 2011

LYGIA

Meus olhos pedem um abrigo
e já sei quem é a pessoa certa,
sei quem pode me acolher;
correrei em busca desse amigo
que vai me ajudar a viver.

Correrei mais rápido que o ar,
pois sei como o caminho é longo;
haverá obstáculos na estrada,
porém, nada vai me parar,
pois eu não vou parar por nada.

Eu seguirei o ritmo do vento,
nada poderá me prender,
só um acidente na avenida
que por um pequeno momento
paralisou a fonte da vida.

Quando tudo ganhou sentido
eu perdi o que mais importava;
parece-me que estou incompleta,
o meu coração está perdido,
assemelhando-se ao de um poeta.

Não sei como gira essa Terra,
só sei que não gira em harmonia;
acho que a injustiça é o motor,
pois no meio de toda essa guerra
um carro me tirou o meu amor.

O dia foi dezoito de julho,
deveria ser mais um dia calmo,
mas, foi um dia de muita agitação;
talvez foi por um mero orgulho
que não atendi aquela ligação.

Amei incomensuravelmente
o cidadão mais cheio de vida;
como se fosse planejado,
morreu do nada, de repente,
em um carro desgovernado.

Em meio a tanto medo e tristeza,
eu reúno todas as minhas forças
e mantenho a cabeça erguida;
pois eu tenho a plena certeza
que vale muito mais a vida.

Hoje guardarei na lembrança
nossos momentos mais felizes;
espero algum dia te encontrar
para bailar a última dança
que espero nunca terminar.

Todo o meu amor está em você,
mas hoje você não se encontra;
sinto você como uma brisa
que sempre insiste em percorrer
o meu coração de poetisa.
  

sábado, 5 de novembro de 2011

FRITANDO OVOS

Vencido pela solidão, concluiu:
o amor é a moradia do caos.
Naquela manhã, não se barbeou,
passou a mão nos cabelos crespos
e viu o seu reflexo no espelho,
perdeu-se nos olhos castanhos
viu como foi pouco com todos...
O seu afeto não foi suficiente
para deixar saudades na amada.
Naquela mesma manhã, decidiu:
viverá caoticamente na estrada.