sábado, 25 de agosto de 2012

RITUAL


Feche seus olhos
pelo tempo que for preciso.
Não se envergonhe,
aos poucos virá um sorriso.

Sinta tocar
a sua música preferida.
Agora chora,
abra os olhos que é a vida.
    

sábado, 18 de agosto de 2012

AINDA, OU SEMPRE, POETA


Acorrentado ao seu ofício,
tenta facilitar o difícil;
alimentando o seu vício:
novo poema, novo suplício.
     

sábado, 11 de agosto de 2012

MINNIE


Não entendo porque tanta dor,
a vida parece ser fácil,
porém, todo mundo reclama;
os humanos pensam que o amor
está limitado a uma cama.

Com tanta preocupação inútil,
esquecem do mais importante,
lamentam a falta de tempo,
inventam algum valor fútil,
amarguram-se em sofrimento.

Eu vejo a vida passar calma
sem encontrar nenhum problema;
tenho pouco tempo de vida
e não irei sacrificar a alma
reclamando que estou esquecida.

Acho graça nesses humanos:
levam a vida muito a sério,
interrogam o seu futuro,
nunca querem mudar os planos
em seu caminho longo e duro.

O que me deixa impressionada
é o modo como se comportam:
mudam como mudam de roupa,
ninguém fica sem vestir nada,
pois a sua pele é muito pouca.

Enquanto o feroz tempo passa,
os humanos vão se perdendo,
poucos conseguem se encontrar;
eu me pergunto se essa raça
sabe o que realmente é amar.

Não mostram os seus sentimentos,
eles se escondem em seu medo,
entretanto querem ser vistos;
concluo com os meus pensamentos
que esses humanos são esquisitos.

Também acho muito engraçado
o modo que tratam os filhos;
querem que eles façam o certo,
enquanto fazem tudo errado,
além de não estarem por perto.

Acho que a culpa é da solidão,
para os humanos terem medo;
dizem ser a raça racional,
mas não têm nada no coração,
e dizem que eu sou o animal.

Os humanos têm que aprender
que a vida pode ser mais simples;
não usarei meu tempo precioso
ensinando-os como viver,
pois já sou feliz com o meu osso.
       

sábado, 4 de agosto de 2012

ORAÇÃO PARA AS PAREDES


Todas as manhãs virava um padre,
ele era feliz com a sua loucura.
Quando o sol despertava seu dia,
ele incorpora sua outra postura.
Gritando que salvaria o rebanho,
lia alto as sagradas escrituras.
Ninguém queria ouvir da palavra,
logo, bradava em elevada altura.
Falava aos seus fiéis-fantasmas,
dizia que sabia qual era a cura.

O passado do velho era sinistro,
por isso buscava a sua redenção.
Faz a reza para as suas paredes,
o seu público era só imaginação.
Esse senhor não via outra saída,
necessitava se dedicar à oração.
Dizia ao seu público imaginário:
“deus é a nossa única salvação!”
E assim, o padre esquizofrênico,
marcha sozinho com a sua missão.